Diabetes 2018-01-24T20:58:19+00:00

Cirurgias Bariátrica e Metabólica

 

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Diabetes

Em 1995, após diversos anos sendo realizadas as técnicas de cirurgia da Obesidade em pacientes portadores de Obesidade Mórbida, Dr.Walter Pories (Foto 1), cirurgião Americano, observou, que após a cirurgia de obesidade os pacientes em mais de 90% dos casos obtinham “cura” ou melhor resolução do diabetes do tipo 2.

Figura 1: Dr.Water Pories.
Figura 2: Dr.Cid Pitombo e Dr.Pories na UNICAMP.

Baseado nesta observação, diversos grupos começaram a estudar e acompanhar melhor os pacientes portadores de Obesidade Mórbida associada à diabetes do tipo 2 que eram submetidos à cirurgia da Obesidade. Mas, somente em 2004, um estudo muito inteligente realizado pelo Dr. Francesco Rubino (Foto 2) em animais, demonstrou resultados de grande interesse para todos. Neste estudo, ele levantou a hipótese de que o intestino realmente pode ajudar no tratamento da diabetes e, talvez, uma cirurgia modificando o trato digestivo possa levar à resolução desta doença.

Figura 2: Dr.Francesco Rubino e Dr.Cid Pitombo, na França.

Em 2006, foi realizado o primeiro encontro mundial sobre cirurgia do diabetes em Strasbourg, França, com a presença de apenas 8 médicos. O Dr.Cid Pitombo estava presente, representando a UNICAMP (Fotos França) . Este encontro teve por objetivo, avaliar os resultados das primeiras pesquisas mundiais que estavam sendo realizadas em pacientes não obesos e portadores de diabetes do tipo 2.

Primeiro encontro sobre cirurgia do diabetes do mundo.
Participantes do evento. Observe que Dr.Cid Pitombo é o único brasileiro.
Foto 4: Dr.Scopinaro (Itália), Dr.Cid Pitombo (Brasil), Dr. Francesco Rubino (França), Dr.Phillip Shauer ( EUA), Dr.Kelvin Higa (EUA), Dr. Garth Balantyne (EUA).

Em menos de um ano, um novo encontro foi realizado em Roma (Foto Roma), com a participaçãp das maiores sociedades e entidades tanto clínica quanto cirúrgica na área do estudo do diabetes (Foto programa), com o objetivo de se fazer um consenso sobre o assunto. O Dr.Cid Pitombo também participou deste encontro como expert convidado(foto programa). A grande notícia deste encontro, foi de que realmente existem subsidios científicos que falam a favor de que realmente deve-se estudar os efeitos dos procedimentos cirurgicos na resolução do diabetes do tipo 2.

Foto 5: Auditório do encontro de Roma
Entidades e Sociedades que participaram do evento.
Lista de experts convidados.

Hoje diversas publicaçõe leigas dão destaque ao assunto (Foto Veja, NYT e Wall Street Jounal), no entanto o objetivo das informações colocadas neste site é tentar explicar as hipóteses que vem sendo estudadas de forma experimental no meio médico.

Veja a lista de conferências realizadas pelo Dr.Cid Pitombo sobre este assunt0 (onde é isso?)

Experimentos no tratamento cirúrgico do diabetes do tipo 2

No momento, o Brasil é um dos maiores centros de pesquisas neste assunto. Existem grupos em diversas partes do país desenvolvendo pesquisas na área. O primeiro relato de realização de cirurgias com propósito de “cura” do diabetes do tipo 2 em pacientes com peso normal e portadores de diabetes, se deu em Chiuaua, no México. Dr. Cid Pitombo esteve nesta cidade e apresentou uma conferência sobre este assunto, bem como realizou uma cirurgia de demonstração ao vivo na Jornada de Cirurgia de Chihuaua. No ínicio de 2006, iniciou-se um complexo programa de pesquisa na UNICAMP, coordenado pelo Dr. José Carlos Pareja (www.obesidadesevera.com.br), utilizando a mesma técnica cirúrgica, chamada de exclusão duodenal. Dr. Cid Pitombo realizou todas as suas pesquisas para obtenção de sua tese de doutorado, na UNICAMP e continua fazendo pesquisas associadas à Universidade. Em Goiânia, Dr. Áureo desenvolveu uma outra técnica, também objetivando tratar pacientes de peso normal, portadores de diabetes do tipo 2. Esta técnica foi batizada de freio neuroendócrino. Outras linhas de pesquisa, como a desenvolvida pelo Dr. Cid Pitombo, de ressecção da gordura visceral (gordura que está dentro do abdômen) também vem se desenvolvendo, no entanto é importante frisar que todos estes estudos encontram-se na fase estudo experimental e ,portanto, seguem regras rígidas determinadas pelo governo brasileiro para este tipo de estudo.

Hipóteses da resolução do diabetes do tipo 2 nas diversas técnicas

1 – Ressecção da gordura visceral

A, gordura visceral é objeto dos mais diversos estudos. Dr. Cid Pitombo realizou seus estudos para obtenção de sua tese de doutorado, exatamente nesta área. Sua tese realizou um estudo nunca antes testado, demonstrando em animais obesos e diabéticos, que a pura ressecção da gordura do interior do abdômen é suficiente para a regressão da diabetes do tipo 2. Seus estudos foram publicados na mais importante revista de cirurgia endocrinológica do mundo: Journal of Endocrinology.

Amelioration of diet-induced diabetes mellitus by removal of visceral fat

Cid Pitombo, Eliana P. Araújo, Cláudio T. De Souza, Bruno Geloneze Neto, José E. Manso, Lício A. Velloso

Department of Internal Medicine, State University of Campinas,
Pos-graduate program, Federal University of Rio de Janeiro
Brazil

Em humanos, existem estudos, inclusive na UNICAMP, avaliando se assim como nos animais, ao retirar a gordura do interior do abdômen será suficiente para reverter o diabetes.

Hipótese do porque esta técnica ajuda na resolução do diabetes:

Existem pacientes que tem “tendência” a acumular gordura no abdômen. Isto é muito comum em homens após os 40 anos. Esta gordura, chamada de gordura visceral (GV), é extremamente danosa à saúde. O que acontece é o seguinte: a GV produz substâncias, hormônios, enzimas etc. boas e ruins a nossa saúde. O problema é que quando aumentamos o acúmulo de gordura visceral, aumentamos a produção das substâncias ruins e diminuímos os das substâncias boas para a nossa saúde. Então, quando diminuímos a GV, seja perdendo peso ou por ressecção cirúrgica, normalizamos a produção das substâncias boas e diminuímos os das substâncias maléficas a saúde, seja na produção de doenças como diabetes, hipertensão arterial, doenças na coronária, derrames etc.

2 – Cirurgia da exclusão duodenal (Figura 2)

Como o nome diz, tem por objetivo excluir (na verdade desviar) a porção inicial do intestino fino denominada duodeno . O primeiro estudo realizado, em animais que sugeriu a hipótese de resolução do diabetes foi realizada pelo Dr.Rubino (foto 1) na França em camundongos de peso normal e diabéticos. Neste estudo após a realização da exclusão do duodeno do contato do alimento ingerido ele obteve a resolução do diabetes. A suposição é de que assim como ocorre em pacientes submetidos a procedimentos para cirurgia da obesidade ao excluirmos o duodeno da passagem dos alimentos e viabilizarmos um caminho mais curto para o alimento, este entraria em contato mais rápido com a porção final do intestino, denominada íleo. Nesta região do intestino são produzidas diversas substâncias, que hoje, acredita-se que sejam fatores importantes na resolução do diabetes em pacientes obesos operados. Uma substância importante envolvida é a chamada GLP-1. O mecanismo de atuação desta substância é muito complexo, mas de forma simplificada supõe-se que o contato precoce e permanente do alimento com a porção final do intestino aumenta e mantém a produção do GLP-1. Ele tem como uma das funções ir ao pâncreas e estimular o crescimento das células que produzem insulina (células beta) e, consequentemente, potencializam a produção de insulina. Este efeito tem se mostrado muito importante na esperança da resolução do diabetes do tipo 2. Na verdade, imagina-se que os pacientes portadores de diabetes do tipo 2, na fase inicial da doença, quando ainda não estão tomando insulina, possuam no pâncreas muitas células beta, que não morreram, apenas não sofrem estímulos suficientes para produzirem insulina. Está provado que o GLP-1, estimula o crescimento destas células e, consequentemente a produção de insulina, mas para isto é necessário, provavelmente, que o paciente não esteja em uma fase muito avançada da doença, para que as células estejam “desestimuladas”, mas vivas. Baseado no bom resultado dos estudos em animais, inicialmente no México e posteriormente no Brasil, criaram-se protocolos de pesquisa, adequadamente, registrados nos comitês de ética e pesquisa para a realização destes procedimentos em humanos. Hoje, mesmo após cerca de dois anos de pesquisas não se tem resultados definitivos de que esta técnica será adequada para o tratamento do diabetes.

Figura 2: Cirurgia da exclusão duodenal. Observe que o alimento do estômago segue direto para o final do intestino, pois é feita a desconecção do trajeto normal pelo duodeno (primeira porção do intestino fino).

3 – Interposição jejuno-ileal (Figura 3).

Da mesma forma que na exclusão duodenal, a ideia desta técnica é viabilizar o contato do alimento mais precocemente com o final do intestino (íleo) e, com isso “utilizar” os efeitos da ação do GLP-1. Nesta técnica, “desconectamos” um segmento da porção inicial do intestino delgado e do final (íleo) e trocamos de posição. Com isso ,o íleo, antes localizado no final do intestino, ficará localizado no início do intestino, consequentemente, o alimento entrará em contato mais precocemente com este segmento e aumentará a produção do GLP-1 produzindo os efeitos na produção de insulina. Em certos estudos, além de se fazer esta troca associa-se à diminuição do estômago que irá também restringir a ingesta de alimentos diminuindo a absorção de calorias. (Fotos da técnica)
Assim como nas técnicas anteriores, estes também são trabalhos que seguem linhas de pesquisas e os resultados, até o momento, não os habilitam como uma técnica definitiva no tratamento do diabetes.

Figura 3: Interposição jejuno-ileal. O segmento com pontos tracejados é “trocado” do final do intestino para o início do intestino.

Hoje, ao redor do mundo, existem diversos estudos sendo realizados em modelos animais, como em humanos. No entanto, não existe nenhuma técnica cirúrgica autorizada para a utilização em diabéticos não obesos, autorizada pelo CFM ou qualquer entidade médica, a não ser para estudos previamente autorizados pelos comitês de ética e pesquisa.

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