Riscos da obesidade – Cid Pitombo

Riscos da obesidade

2022-03-30T12:14:56+00:00 30/03/2022|

A obesidade é uma epidemia, ou seja, um problema de saúde que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo. Hoje, existem mais obesos do que pessoas com pouco acesso a alimentos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 4 milhões de pessoas morrem a cada ano por causas relacionadas ao excesso de peso ou obesidade. E as taxas de sobrepeso e obesidade em crianças e adultos continuam a aumentar.

O Atlas Mundial da Obesidade 2022, publicado pela Federação Mundial da Obesidade, prevê que um bilhão de pessoas em todo o mundo, incluindo 1 em cada 5 mulheres e 1 em cada 7 homens, estarão vivendo com obesidade até 2030. No Brasil, de acordo com o Vigitel 2020, 57,5% da população adulta do Brasil está com excesso de peso (era 55,7% em 2019) e 21,5% da população está com obesidade (era 19,8% em 2019).

Tem sido comum a defesa de que um obeso não é um doente. Sim, muitos não são, sobretudo quando jovens, mas o problema é que muitas doenças apenas aparecem lá na frente, com a idade avançada.

Muitas crianças hoje já estão com sobrepeso ou obesidade. E o que ajuda nisso também é a quantidade de produtos industrializados prontos com preços mais acessíveis do que os alimentos mais saudáveis. O que a população não sabe é a quantidade de gorduras, farinhas, partes de carnes menos nobres que são misturadas nesses alimentos. Um produto industrializado não sai mais barato à toa. Fora outros problemas que também podem provocar, como a hipertensão e o diabetes, pelo excesso de sal e de açúcar.

E esses hábitos ruins de alimentação e também de sedentarismo estão se perpetuando. Os filhos de pessoas acima do peso já estão nascendo com tendência a acumularem mais gordura corporal. A hereditariedade da obesidade está passando entre as gerações familiares.

O que temos visto é uma aceleração muito acentuada da obesidade entre as crianças, porque elas já não tomam água, querem apenas mate e sucos de caixinha. Os jantares muitas vezes são substituídos por franguinhos prontos, macarrão instantâneo ou hambúrgueres com pão. As crianças não aceitam os legumes e verduras e os pais acham que não há o que fazer. Na lancheira da escola, vão biscoitos recheados e salgadinhos.

Mas tentamos mostrar que dá, por exemplo, para colocar legumes batidos no caldo de feijão. Comer legumes e verduras é hábito, uma educação alimentar que começa cedo e deve se manter. Temos que insistir. Se a criança não gosta muito de frutas, mas só ofertamos frutas, ao invés de biscoito recheado, a criança acabara comendo a fruta.

Estar obeso aumenta o risco do aparecimento de dezenas de doenças, não só articular, muscular, cardiológica, pulmonar, bem como uma diversidade de doenças metabólicas como diabetes, alteração do colesterol, doenças renais e muitos tipos de câncer. E ainda temos as doenças psiquiátricas associadas, como depressão, isolamento social e até suicídio. Não estou afirmando que por ser obeso a pessoa está doente, assim como não falamos que por fumar, também está. O que estamos afirmando é que em ambas as situações aumentam a chance de obesos desenvolverem algumas doenças.

Doenças ligadas à obesidade

A diabetes é uma doença com maior relação com obesidade. O aumento da gordura, principalmente a visceral (dentro da barriga) leva à produção de substâncias que prejudicam a ação da insulina e da glicose. O aumento de peso tem uma relação direta no aumento da pressão arterial, distúrbios no metabolismo do colesterol e triglicerídeos. Tudo isso leva a uma chance maior de infarto e desenvolvimento de doenças cardiovasculares associadas.

As causas e a relação direta entre câncer e obesidade não são tão conhecidas como a do diabetes e doença cardiovascular. Mas em um encontro de especialistas em câncer em 2007 ficou claramente demonstrada a relação entre alguns tipos de câncer e obesidade, como câncer de pâncreas, pulmão, cólon, esôfago, mama, rim entre outros. E estudos envolvendo quase 60 mil obesos mostraram a clara relação entre obesidade e depressão.

Já com relação à doença pulmonar, quando o obeso acumula muita gordura no abdome isso irá comprimir o diafragma, o músculo que divide o tórax do abdome. Com isso, comprime-se o pulmão e se dificulta a respiração. Além disso, o tórax fica menos flexível. Substâncias inflamatórias também são produzidas e atrapalham a função pulmonar, elevando a incidência de doenças como bronquite e asma. Um exemplo que comprava esse fato, foi a alta mortalidade de portadores de obesidade durante a epidemia do Covid-19.

O obeso é um organismo delicado e que pode desenvolver distúrbios musculoesqueléticos. Difundir atividades físicas em obesos, sem a devida orientação, por exemplo, pode levá-lo a lesões. E estar fora do peso aumenta a incidência de doenças osteoarticulares. Cerca de um terço das cirurgias de próteses de joelho no mundo são em obesos e a grande maioria das de quadril também.

Cirurgia bariátrica

Muitas das pessoas com super obesidade, que não conseguiram chegar ao peso ideal com dietas, exercícios físicos e medicamentos recorrem à cirurgia bariátrica. A técnica, que hoje é muito mais simples, segura e menos invasiva, também vem sendo usada para promover uma resolução do diabetes tipo dois em obesos que não chegam a ser considerados super obesos.

Por meio de um equipamento chamado videolaparoscopia, em apenas 30 minutos de cirurgia, é possível separar uma pequena parte do estômago e outra do intestino por onde os alimentos continuarão passando. Assim, o paciente passa a ter menos espaço para armazenar alimentos e também produz menos hormônios que aumentam o apetite. Além disso, no intestino, absorve menos gorduras e por isso o emagrecimento acaba ocorrendo rapidamente quando se pratica a dieta equilibrada e saudável.

Mas quem atinge o peso ideal após a cirurgia, pode voltar a comer de tudo um pouco, desde que respeite as quantidades permitidas.

Os obesos muitas vezes precisam fazer acompanhamento com psicólogos para aprender a controlar melhor problemas como a ansiedade que os levam a consumir mais alimentos e até mesmo mais álcool. Depois que emagrecem, eles querem aproveitar a vida e fazer coisas que já não faziam antes.

Alguns extrapolam e acabam bebendo e comendo mais do que deveriam. O que leva parte deles a engordar de novo um pouco mais ou nem emagrecer tanto como poderia. Outros abandonam a atividade física. Eu ensino aos meus pacientes que a disciplina é fundamental. Nada na vida é fácil. Atingir metas sempre exige esforço constante. Mas em geral, os que deixam a obesidade no passado sentem-se muito felizes e recomeçam uma nova vida, sem preconceitos e limitações.