Estudo mostra que obesidade é fator para gravidade por covid-19

2020-06-09T15:04:19+00:00 09/06/2020|

Médico Cid Pitombo, coordenador do Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica do Rio de Janeiro, acredita que o comportamento do coronavírus entre os obesos brasileiros será similar.

Cientistas do Langone Health Center, da Universidade de Nova York (NYU), descobriram que a obesidade é o fator mais importante para a hospitalização ou não de um paciente após a infecção pelo novo coronavírus. Eles conduziram o maior estudo realizado em hospitais dos Estados Unidos nesta pandemia até agora, de acordo com um relatório da ZDNet. Eles descobriram que a composição corporal desempenhou um grande papel na resposta de cada indivíduo ao COVID-19. O médico brasileiro Cid Pitombo é editor-chefe da publicação norte-americana ‘Obesity Surgery’ e coordenador do Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica do Rio de Janeiro; ele vinha alertando as autoridades brasileiras desde fevereiro para o alto fator de risco que a obesidade apresenta para agravamento de casos de coronavírus. O especialista acredita que o comportamento do vírus no obeso brasileiro deve ser similar ao constatado nos Estados Unidos.

Ele destaca que os médicos têm procurado incansavelmente entender melhor o COVID-19 e os motivos que levam o vírus a se manifestar mais severamente em alguns pacientes do que em outros. A idade já foi constatada como um dos fatores mais importantes para decidir o risco de mortalidade em pacientes, mas agora a obesidade também foi identificada.

“O obeso é um inflamado crônico. Minha tesa de doutorado na Unicamp foi justamente sobre os efeitos dos agentes inflamatórios produzidos pela gordura, principalmente pela gordura visceral, sobre a resistência insulínica e produção do diabetes, também sobre as doenças coronarianas e o fígado. Por isso, vírus de alto impacto no organismo são mais graves entre os obesos por conta dessa condição da doença”, destaca o médico pesquisador Cid Pitombo.

Importante destacar, no entanto, que esse risco aumentado é para obesos não operados. “Aqueles que já passaram pela cirurgia bariátrica e estão no peso da meta não pertencem a este grupo de risco. Esses pacientes na sua maioria já resolveram as doenças associadas como diabetes e hipertensão, por conta da cirurgia, e tem risco igual ao da população saudável”, afirma o médico Cid Pitombo.

Evitar a transmissão do novo coronavírus exige cuidados simples no dia a dia, especialmente a forma correta de lavar as mãos e maneiras de espirrar e tossir. A higienização das mãos e de superfícies são fundamentais.

“Obesidade tem relação direta com imunossupressão, ou seja, menor poder de reagirmos a doenças. Obesos, além disso, tem menor resposta a vacinas de gripe, hepatite e tétano, por exemplo”, alerta Cid Pitombo.

Estudo NYU – As descobertas foram publicadas no sábado (12) em um artigo escrito por vários médicos, liderado por Christopher M. Petrilli, da NYU Grossman School. O artigo foi intitulado “Fatores associados à hospitalização e doenças críticas entre 4.103 pacientes com doença de COVID-19 na cidade de Nova York” e foi tornado público no medRxiv. Ainda não foi revisado por pares, mas pode ser o começo de uma importante descoberta sobre o coronavírus.

Apoio virtual – Pensando em se manter conectado com os pacientes obesos em tratamento, o dr Cid Pitombo e sua equipe multidisciplinar de psicólogos, nutricionistas e clínicos montou grupos de whatsapp e estão postando vídeos nas redes sociais para orientar e confortar. E tem dado resultado. Juntos os vídeos já tiveram mais de 100 mil visualizações em apenas uma semana.

Perfil do especialista – Cid Pitombo é médico cirurgião, recordista em cirurgias bariátricas por videolaparoscopia no SUS. Já foram mais de 3.200 pessoas que passaram pelo procedimento no sistema público do Rio e Janeiro, com taxa de sucesso de 99%.